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Dia internacional contra a Homofobia: Brasil tem muito pouco o que comemorar

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Há 27 anos, exatamente no dia 17 de maio de 1990, a homossexualidade, ainda chamada de “homossexualismo”, perdia o status de doença após ser retirada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde então, a data marca não apenas o Dia Internacional contra a Homofobia, mas também contra a LGBTTfobia (preconceito e violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Entretanto, o mundo não tem muito que comemorar. Crimes de motivação LGBTTfóbica (crimes de ódio) causam mortes de pessoas LGBT ao redor do globo; países criminalizam o livre exercício da orientação sexual, da expressão e identidade de gênero, punindo os cidadãos LGBT com penas que vão de prisão à pena de morte; movimentos religiosos fundamentalistas promovem massacres de seres humanos (perseguição do Estado Islâmico a gays); e até absurdos, como campos de concentração de extermínio de pessoas, começam a despontar nos noticiários mundiais (campos de concentração para gays na Chechênia).

E o mesmo não difere muito do que acontece no Brasil. Segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), uma organização que compila dados nacionais de assassinatos da população LGBT, apenas no ano de 2016, foram registrados 343 assassinatos por crime de ódio (o número pode ser maior devido a subnotificação). Desse montante, 173 eram gays (50%), 144 (42%) trans (travestis e transexuais), 10 lésbicas (3%), 4 bissexuais (1%), incluindo 12 heterossexuais, como os amantes de transexuais (“T-lovers”). Isso coloca o Brasil como o país do continente americano que mais mata pessoas LGBT.

E para 2017, um fato alarmante: segundo o GGB, apenas no primeiro quadrimestre deste ano, o número de assassinatos de Trans subiu 20% em relação ao mesmo período de 2016. O ano de 2017 tem sido o mais violento da década para essas pessoas. Tanto que um caso chocou e comoveu a população brasileira.

Morte de Dandara inspirou movimentos contra a transfobia.Na era do smartphone, um vídeo, repassado à exaustão pelas redes sociais e whatsapp, retratou a crueldade de um assassinato comum, mas pouco divulgado: Dandara, pessoa travesti, agredida por um grupo de vários homens, com socos e pontapés, e pancadas deferidas com um pedaço de madeira, é colocada em um carrinho de mão, antes de ser morta por tiros à queima roupa. A todo o momento, ela pede para que as agressões cessem e  que ela não seja assassinada. Pedidos não que não foram atendidos. Tudo gravado pacientemente e sem reações de ajuda.

E apenas no estado do Ceará, a morte de Dandara se une, este ano, às mortes de tantas outras mulheres travestis, como Ketlin, morta a golpes de faca, e Érica por espancamento. E os nomes e crimes se multiplicam: Chaiane – golpes de faca (RS), Fernanda - tiros (PR), Sophia Castro – estrangulamento (MG), Samaiely – 6 tiros (BA), Layza- 2 tiros (ES), Eloá Silva – tiro no tórax (PB), Marroni – 18 facadas ( Pará), Samily – tiros (Rio de Janeiro), entre muitos outros casos.

Mas o que faz a sociedade fechar os olhos para o assassinato deliberado das travestis e transexuais? Segundo Viviane V, pessoa travesti e mestranda do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia, a principal causa é a desumanização do indivíduo.

“Ao serem desumanizadas, ao serem simplificadas àquilo que uma sociedade ávida por menosprezar deseja – ao lugar da abjeção, da marginalidade, da disponibilidade e abuso do sexo pago e descompromissado –, ao terem seus nomes sociais desrespeitados, as travestis seguem caminhos individuais repletos de problemas, tão complexos quanto se esperaria de qualquer grupo humano, mas compartilhando uma série de características comuns”, trecho do artigo: Beijos não bastam: breve reflexão sobre, e para, as travestis.

Ação marca o dia 17 de maio

Em Porto Velho, acontece o evento Homofobia tem Cura no Palácio do Governo Getúlio Vargas a partir das 18h e30 min. Será montada uma mesa de debates que vai reunir nomes, como Dra. Marília Benicase, representante da Comissão da Diversidade Sexual – OAB, Taís Leite, Jornalista e especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos representando a Universidade Federal de Rondônia (Unir); e Alyne Mayra, representante do Levante Popular da Juventude e da Sejucel. Página do Evento.

Joomlart