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Sem condições de arranjar emprego, mulheres agredidas voltam para ex – companheiros

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Defensora Luiziana Teles diz que o atendimento jurídico isolado do social não resolve o problema

Defensora Luiziana Teles diz que o atendimento jurídico isolado do social não resolve o problema

Sem condições de arranjar emprego por não ter qualificação profissional, a maioria das mulheres agredidas que decide separar do companheiro, termina retornando ao lar, afirmou a defensora pública Luiziana Teles, coordenadora do núcleo Maria da Penha, da Defensoria Pública do Estado (DPE). A equipe que compõe a coordenação, formada pela defensora Luiziana, pela advogada e assessora de defensor Tatiane Mossini e pela servidora Luzia de Oliveira, atendeu uma média de 100 mulheres no mês de junho.

Na opinião da defensora Luiziana, é preciso que o poder público crie mecanismos sociais para inserir essas mulheres no mercado de trabalho, fortalecendo, assim, sua estrutura econômica e social para evitar que voltem a conviver com o agressor. “O atendimento jurídico, isolado de outras ações, resolve o problema apenas em parte”, frisou.

Tatiane Mossini  explicou que boa parte delas chega à Defensoria Pública ou à Delegacia da Mulher despida de tudo – de amor próprio, de roupa, emprego,  alimentos e local para morar . “Trazem consigo apenas os filhos e uma baixa estima imensa”, observou, frisando a importância do apoio emocional e econômico para que elas se sintam amparadas e fortalecidas.

Arrependimento

“Incentivar a mulher a romper com o silêncio é outro ponto fundamental no processo, mas só conseguiremos obter êxito através da disseminação da informação”, declarou a defensora, afirmando que elas só se sentirão encorajadas de fato a denunciar o companheiro quando tiverem certeza  de que o agressor será punido e que terão condições de se manter economicamente.

É comum também, de acordo com Luiziana teles, o agressor usar de artifícios psicológicos para pressionar a mulher a perdoá-lo, garantindo que irá mudar e que não pode viver sem ela e sem os filhos. Comovidas, e se sentindo culpadas, a grande maioria termina perdoando. O consumo de álcool e drogas ilícitas é apontado como os principais motivos que levam o companheiro a agredir a companheira.

Para evitar que a mulher denunciasse o companheiro e depois se arrependesse, como era comum acontecer, foi alterada a “Maria da Penha”.  De acordo com Luiziana Teles, quando a mulher agredida vai à Delegacia da Mulher e registra o boletim de ocorrência referente à agressão sofrida e pede medida protetiva, ela fica ciente de que não poderá mais voltar atrás.

Crianças

Ela acredita que uma das formas de reduzir a violência doméstica é através da conscientização das crianças e adolescentes sobre a importância da Lei Maria da Penha, mostrando para eles os mecanismos que podem utilizar para evitar que a mãe continue sendo vítima de violência, tanto a física quanto psicológica.

 Pesquisa

Levantamento realizado pela empresa de cosmetologia Avon mostra que 94% da população brasileira conhece a Lei, mas somente 13% sabem sobre o seu conteúdo. Essa falta de conhecimento, na opinião da defensora, contribui para que o número de denúncias ainda seja baixo, se comparado à quantidade de mulheres que são agredidas diariamente no Brasil.

A pesquisa mostra ainda que seis em cada dez brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. Desse total, 63% tomaram alguma atitude.  Do total de mulheres entrevistadas, 27% declararam já ter sido vítimas de violência doméstica – enquanto apenas 15 % dos homens admitiram ter praticado esse crime.  Outro dado apresentado pelo levantamento feito pela Avon mostra que 62% da população já reconhece a violência psicológica como agressão.


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